Igreja vs Estado no pensamento de Roger Williams – Parte II

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Os problemas

Os problemas começaram quando Isabel ignorou as etapas para se erradicar as corrupções visíveis de Roma. Os puritanos viam problemas graves na Igreja da Inglaterra. Era necessário continuar a reforma para a destruição de todos os resquícios do romanismo.

Com o tempo, os puritanos reinterpretaram história da Inglaterra e o significado do livro de Apocalipse. Aparentemente, a nação era eleita e substituta de Israel, mas, perdia território para o Anticristo. Quando Roger Williams defendeu suas ideias, o lugar da Inglaterra na história já estava desgastado e a Nova Inglaterra (Estados Unidos), surgiu como a nova esperança escatológica.

Foi diante desse contexto que Roger Williams se distanciou dos seus contemporâneos. Ele acreditava que a igreja, desde o século 14, havia entrado em profundo sono e, desse modo, o Anticristo conseguiu triunfar tanto na Inglaterra quanto em todas as nações. Williams ainda confiava, como os puritanos em geral, que Jesus voltaria pessoalmente para subjugar Satanás e destruir o Anticristo, mas ele não pregava uma iminência do tempo, nem mesmo acreditava que o milênio na terra havia começado, especialmente na Inglaterra.

O Puritanismo e a Salvação

Os puritanos se diferenciavam dos demais grupos protestantes especialmente na doutrina da depravação total do homem. Para eles, havia um obstáculo intransponível entre o homem e a salvação. Os puritanos insistiam que nenhum anjo, santo, igreja ou sacerdote seria o escape para pecadores. Eles também não poderiam obter a salvação pelos seus próprios esforços ou herdar a salvação dos seus pais. O homem naturalmente nasce sem esperança, totalmente voltado para o mal e incapaz de desejar o bem moral, segundo o pensamento puritanos do século 17. Roger Williams concordava com este ponto doutrinário.

Depois de reconhecer que somente a infinita graça de Deus pode salvar o pecador, os puritanos identificaram as etapas da redenção particular. Especialmente William Perkins e William Ames, ficaram conhecidos com suas “anatomias” da salvação.

Apesar de algumas poucas diferenças, o padrão geral do processo era semelhante. Primeiro o pecador ouvia a mensagem pregada. Depois compreendia que estava em dívida impagável com Deus. Em seguida, ocorria grande senso de pecado acompanhado de remorso, seguidos de convicção de culpa, humilhação, contrição e, por fim, arrependimento. Este era o processo geral que acontecia nos pecadores que iam sendo salvos. Por ter estudado em Cambridge, Roger Williams conhecia muito bem estes estágios ensinados por Perkins e Ames, e concordava com eles.

Os puritanos também tinham em alto estima a doutrina do Pacto de Graça. Ainda que com algumas diferenças entre eles, no geral, concordavam que Deus havia realizado um pacto com Adão. Este primeiro pacto havia sido quebrado. Mas, havia uma Nova Aliança, o Pacto de Graça feito entre o Pai e o Filho. Desde que esse pacto de Graça foi revelado através de um pacto nacional com Israel, Deus poderia, então, fazer um Pacto com a Inglaterra. E, assim como Israel recebeu leis e tinha obrigações com elas, a Inglaterra também teria.

Congregacionais

Diante destas posições, os congregacionalista ou independentes, assimilaram a doutrina do Pacto e conceberam a igreja local em termos pactuais. Aos olhos dos puritanos independentes, e isso inclui Roger Williams, uma igreja era produto de algum pacto. O Pacto da igreja era um acordo entre os homens que haviam sido escolhidos por Deus para se reunirem como uma associação de membros locais. O Pacto de Igreja não era o Pacto de Graça, mas um Pacto derivado do Pacto de Graça. Ele era uma extensão ou uma expressão do Pacto de Graça.

Os puritanos, criaram subgrupos em suas congregações, uma espécie de igreja dentro da igreja. O subgrupo (ou a igreja dentro da igreja) poderia fazer um pacto explícito e especial entre eles para tomar a Ceia do Senhor em reuniões reservadas.

Eles queriam, com essa atitude, restringir a Ceia do Senhor apenas aqueles que haviam demonstrado ter chegado a última etapa da conversão, o arrependimento. Essa prática moveu os independentes à declaração de que não havia igreja maior do que o número de santos visíveis. Além disso, se não houvesse evidência de regeneração os membros deveriam ser excluídos da igreja local.

Quanto aos ofícios da igreja, não poderia existir ministros que não fossem escolhidos pela própria congregação local. Ou seja, estavam, agora, rejeitando abertamente a ideia de hierarquia de igrejas, bispos, concílios, diáconos ou arquebispos. O problema é que tudo isso esbarrava em uma questão de legalidade civil.

Diante dessa situação, alguns puritanos deixaram a Igreja da Inglaterra para formar novas igrejas, separadas. Em 1570 foram denominados separatistas. Williams tinha essa consciência, que devia se separar da Igreja da Inglaterra. Ele buscava o modo certo de se adorar a Deus. Aquela adoração mista estava errada, a Ceia deveria ser restrita aos regenerados, a igreja deveria ser restrita àqueles que demonstraram conversão e arrependimento.

No próximo post veremos qual a razão inicial de Roger Williams se opor ao governo e a igreja de Boston

Parte 1

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