Igreja vs Estado no pensamento de Roger Williams – Parte I

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Roger Williams

Não tenho por objetivo apresentar uma biografia de Roger Wiliams, nem discutir sua posição denominacional. Sobre a vida desse teólogo, precisamos saber que ele nasceu por volta de 1603 em Londres, estudou em uma escola independente chamada Chartehouse e, mais tarde, no colégio Colégio Pembroke, Cambrige. Foi aluno de um jurista chamado Sir Edward Coke.

Em 1631 Roger Williams chegou a Massachusetts. Conhecido por seu posicionamento puritano, recebeu convite para pastorear a igreja de Boston no lugar do Reverendo John Wilson que havia retornado à Inglaterra. Depois de negar, se tornou uma persona non grata em Boston. Em seguida, partiu para Playmouth e ficou naquela região por aproximadamente dois anos.

Também pastoreou a igreja de Salém, que pertencia a Massachusetts. Foi neste momento que houve a primeira tentativa de separação da igreja local do restante da colônia. Sem atingir seus objetivos, fugiu e iniciou, após adquirir uma terra dos índios, a colônia de Providence. Neste contexto histórico americano, Roger Williams se tornou um dos mais proeminentes defensores da liberdade de consciência tanto na América quando na Inglaterra.

Podemos afirmar que todas as ações de Williams eram consequências diretas do seu pensamento. Ele não foi apenas um intelectual, mas um homem que agiu conforme sua intelectualidade. A medida que seu pensamento teológico progredia, suas ações também progrediam. Williams era um puritano que não tinha medo de seguir as conclusões teológicas resultantes de seus estudos pessoais.

Roger Williams e o Puritanismo Inglês

Em 1603, os Ingleses tinham ideias especiais sobre a Inglaterra. Tinham razões para crer que o país era uma nação especial para Deus, por isso, havia um anseio escatológico grande para a nação. Desse modo, um dos livros mais discutidos e estudados durante os séculos dezesseis e dezessete foi Apocalipse. Teólogos e acadêmicos procuraram traduzir as passagens proféticas sob a ótica da história europeia e inglesa.

Apesar das inúmeras diferenças interpretativas entre os puritanos, existia um ponto em comum, a saber, que o papa era o anticristo e a igreja de Roma a grande meretriz da Babilônia. A questão discutível era quanto tempo duraria o poder de Roma.

Hanserd Knollys, por exemplo, em “Babilônia Mística Revelada”, retratou o papa do seguinte modo:

“A descrição mais completa da besta papal romana está expressamente escrita no capítulo 17 de Apocalipse: “O anjo, porém, me disse: Por que te admiraste? Dir-te-ei o mistério da mulher e da besta” (Ap 17:7). Essa Besta, o Anjo descreveu para São João em três características peculiares que não podem concordar com outras pessoas, poderes, imperadores, reis, nem domínio no mundo, mas somente com papa de Roma. Primeiro, pelo seu passado, presente e Estado futuro. “besta que viste, era e não é” (Ap 17:8). Segundo, pelo seu duplo numero, verso 11, “o oitavo rei, e procede dos sete”. Terceiro, por sua ascensão e ruína, verso 8 e 11, “a besta que viste, era e não é, está para emergir do abismo e caminha para a destruição”; sem lei, o filho da perdição “entra em perdição”.

Os ingleses persuadiram a eles mesmos que a Inglaterra era uma nação favorecida por Deus e que a história daquela nação era paralela a história dos Judeus antes da primeira vinda de Jesus Cristo, acreditavam que eram sucessores do Israel Nacional. A Inglaterra era uma nação eleita destinada a liderar o mundo para uma volta à verdadeira religião. A Inglaterra era a nação que estava a frente do combate contra a tirania do anticristo.

Os ingleses rejeitavam a ideia de que o evangelho havia sido propagado por missionários de Roma. Para eles, o evangelho foi, naquela terra, pregado por emissários diretos dos apóstolos.

Também entendiam que por volta do século 14 Satanás havia iniciado uma pesada tirania sobre a Igreja resistida fortemente a fim de se preservar a verdade, mesmo com o derramamento de muito sangue dos mártires.

O primeiro profeta da reforma foi, portanto, John Wyclif e não Lutero ou John Huss. Por causa da fidelidade Pactual, Deus havia honrado o povo inglês quando retirou Maria Sanguinária do trono e fez assentar Isabel, a protetora dos eleitos. Enfim, no pensamento inglês, a Inglaterra se tornou o centro da história após a queda do império Romano.

No próximo post veremos os primeiros conflitos entre o estado e os puritanos e como Roger Williams se encaixa na ruptura entre igreja e estado….

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