
Morgan Edwards, em Materials Towards a History of the Baptists , afirma que Elias Keach, o filho do famoso pastor batista inglês Benjamin Keach, chegou à América no final do século XVII. Embora não fosse convertido, ele se passou por ministro para se sustentar, vestindo-se como tal e pregando sermões. Durante um desses sermões, ele foi tomado por convicção e interrompeu o discurso, confessando emocionado sua fraude diante da congregação. Esse momento marcou sua conversão. Buscando orientação, ele procurou o ministro batista Thomas Dungan, que o batizou e ordenou. Elias então estabeleceu uma igreja em Pennepek, pregando com sucesso na região da Pensilvânia e Nova Jersey, sendo reconhecido como uma figura importante na propagação do movimento batista na América. Ele retornou à Inglaterra em 1692, após deixar a liderança da igreja sob os cuidados de John Watts.
Depois de sua conversão, em 1694, na Inglaterra, Elias Keach publicou uma série de quatro sermões sobre a Justificação pela Fé Somente. Neles, o reverendo batista define de maneira pronfunda, clara e acessível o que é Justificação, apresentando questões práticas de grande importância para a vida cristã. Em seu quarto sermão, Elias Keach respondeu a uma questão que está intimamente ligado à doutrina da Santíssima Trindade: Qual justiça nos é imputada? Seria a justiça essencial da divindade ou a justiça extratrinitariana da Pessoa encarnada de Cristo? Keach respondeu de forma objetiva e teológica, destacando a centralidade da justiça de Cristo encarnado como a base da imputação da justiça aos pecadores, veja abaixo:
Pergunta: Alguns podem questionar: Que justiça é essa que você afirma ser a justiça de Cristo? Seria a justiça de Cristo, enquanto Ele é Deus?
Resposta: Não, não é a justiça de Cristo enquanto Ele é Deus. Porque essa é a justiça essencial da divindade, e se fôssemos justificados por ela, seríamos deificados. Não é a justiça de Cristo, enquanto Ele é Deus, pois a justiça essencial de Deus, sendo a própria essência d’Ele, não pode ser comunicada a nenhuma criatura. Se fôssemos justificados pela justiça divina, então essa justiça pertenceria a toda a Trindade. Portanto, poderíamos dizer que somos justificados tanto pela justiça do Pai quanto pela justiça do Espírito Santo, assim como pela justiça do Filho.
Conclusão: A justiça que nos justifica, portanto, é especificamente a justiça de Cristo como Mediador; ou seja, a justiça que Ele realizou como Deus-Homem, cumprida por Ele em Sua carne enquanto viveu por nós na Terra. Esta justiça é chamada por Paulo de “justiça de Deus” em Romanos 10:3: “Porque, não conhecendo a justiça de Deus, e procurando estabelecer a sua própria, não se sujeitaram à justiça de Deus.”
Essa justiça extratrinitária é a justiça pactual que o Filho Eterno prometeu ao Pai, na Eternidade, alcançando-a e concedendo-a ao seu povo no tempo e espaço. Trata-se de uma justiça obtida por meio da obediência ativa e passiva do nosso Redentor. Louvado seja Deus!