
James Ussher, nascido em 1581 em Dublin, Irlanda, foi uma figura importante tanto no campo acadêmico quanto no eclesiástico. Descendente de uma antiga linhagem irlandesa, Ussher se destacou desde cedo por sua dedicação aos estudos. Ele foi um dos primeiros graduados do recém-fundado Trinity College, na Universidade de Dublin, onde se especializou em teologia e estudos bíblicos. Após sua graduação, foi nomeado professor de teologia, mas rapidamente se viu envolvido nas intensas batalhas religiosas da época, sendo posteriormente nomeado bispo.
Durante as décadas de 1610 a 1630, Ussher esteve profundamente envolvido nos esforços para preservar os ideais da Reforma Protestante na Irlanda, resistindo às pressões dos reis James VI e I e Charles I, que estavam mais interessados em expandir seu controle sobre a Grã-Bretanha e a Irlanda do que em apoiar as reformas religiosas desejadas pelos puritanos. Ussher escreveu A Body of Divinity, um catecismo que abordava as questões fundamentais da religião cristã de maneira clara e acessível.
Ussher é lembrado por sua devoção à fé reformada e por suas contribuições significativas para a teologia e a história bíblica, sendo uma figura chave na defesa e promoção dos princípios da Reforma em um período de grande turbulência religiosa. Ele foi um grande defensor da doutrina ortodoxa e reformada da Simplicidade de Deus. Em resumo, Ussher defendeu o que nossa Confissão de Fé Batista de 1689 reafirmou algumas décadas depois:
Ele é um espírito, puríssimo (*Ato Puro), invisível, sem corpo, partes ou paixões; o único que possui imortalidade, habitando em luz, a qual nenhum homem é capaz de aproximar, imutável, imenso, eterno, incompreensível, todo-poderoso; em tudo infinito, santíssimo, sapientíssimo; completamente livre e absoluto, operando todas as coisas segundo o conselho da sua própria imutável e mais justa vontade, para a sua própria glória; amantíssimo, gracioso, misericordioso, longânimo; abundante em bondade e verdade, perdoando a iniquidade, a transgressão e o pecado; o recompensador daqueles que o buscam diligentemente; contudo justíssimo e terrível em seus julgamentos, odiando todo pecado, e que de modo nenhum inocentará o culpado. – Confissão de Fé Batista de 1689
Em A Body of Divinity: Um Breve Método da Religião Cristã, publicado em 1646, James Ussher ensinou e defendeu a Simplicidade de Deus nos seguintes termos:
3. O que devemos considerar na natureza de Deus?
Primeiro, Sua Essência ou Ser, que é apenas um, e depois as Pessoas, que são três em número. (Colossenses 1:15, Hebreus 1:3, 1 João 5)
4. Como devemos conceber Deus em relação à Sua perfeição?
Que Ele é um Espírito único e infinito, tendo Seu ser a partir de Si mesmo, e não tendo necessidade de nada que esteja fora de Si mesmo. (João 1:17-18, 1 Timóteo 6:16, Salmos 145:3, Apocalipse 1:8, Romanos 11:36, Atos 17:24)
5. Por que você chama Deus de Espírito?
Para declarar que Seu Ser é tal que não tem corpo e não está sujeito aos nossos sentidos exteriores, para que não admitamos nenhum conceito vil de Sua majestade, pensando que Ele seja semelhante a qualquer coisa que possa ser vista pelos olhos do homem. (Êxodo 33:19-20, Apocalipse 1:8, Isaías 14:17, Isaías 43:29, Isaías 8:14)
6. O que você entende por essa singeleza ou simplicidade da natureza de Deus?
Que Ele não tem partes nem qualidades em Si mesmo, mas tudo o que há n’Ele é Deus, e toda a essência de Deus. (Malaquias 3:6, Tiago 1:17)
7. O que você deduz dessa afirmação de que Deus não tem partes nem qualidades?
Que Ele não pode ser dividido, nem mudado, mas permanece sempre no mesmo estado, sem qualquer alteração. (Apocalipse 1:8, Salmos 92:4, 2 Pedro 3:8, João 8:58)
8. Em que aspecto você chama a Essência de Deus de infinita?
Que Ele é eterno, sem começo e sem fim, nunca mais velho nem mais novo, e tem todas as coisas presentes, nem anteriores nem posteriores, nem passadas nem futuras. (1 Reis 8:27, Salmos 145:3, Jeremias 1:23-24)
9. Como Deus é infinito em relação ao lugar?
Na medida em que Ele preenche todas as coisas e lugares, tanto dentro como fora do mundo, presente em toda parte, sem estar contido em lugar algum. (Deuteronômio 10:6, João 3:10, Hebreus 10:31, 1 Timóteo 4:16, 1 Timóteo 6:17)
10. Como Ele está presente em todos os lugares? Ele tem uma parte de Si mesmo aqui e outra lá?
Não, pois Ele não tem nenhuma parte pela qual possa ser dividido e, portanto, deve estar totalmente onde quer que esteja. (Provérbios 8:14, 1 João 4:17, Isaías 43:2)
11. O que você chama de vida de Deus?
Aquilo pelo qual a natureza divina está em ação perpétua, de modo simples e infinito, movendo-se a Si mesma, em relação ao qual a Escritura o chama de Deus vivo. (Jeremias 32:17, Naum 1:3, Deuteronômio 32:4, Êxodo 34:6-7, Salmos 89:13)