
Uma pergunta surge a partir do conceito de dedução necessária: “Se cremos em uma dedução necessária, então, a razão humana é o princípio e a norma que as doutrinas devem ser analisadas?”
Os socinianos usaram esse argumento para negar doutrinas que, aparentemente, contradizem a razão: trindade, encarnação e satisfação de Cristo. Eles fizeram da razão a norma das coisas a serem cridas e que não se deve crer. A resposta para a pergunta acima, contudo, deve ser negativa. Os mistérios da fé estão além da razão, acima dela. Vejamos a resposta de Turretini (Vol I, p.67):
“A razão não pode ser a norma da religião nem como corrompida, porque ela não só está debaixo da fé, mas é também oposta a ela (Rm 8.7, 1Co 2.14, Mt 16:17), nem como sadia, porque tal coisa não se acha no homem corrupto e nem mesmo num homem não contaminado ela poderia ser a norma de mistérios sobrenaturais. Nem agora, quando é corrigida pelo Espírito, deve ser julgada por si própria, mas em conformidade com o primeiro princípio que a razão iluminada admite, a saber, as Escrituras”
Mas, ainda precisamos responder a questão: “Por que devemos aceitar as deduções necessárias como regra de fé e prática?” Deixemos que o eminente Dr. Turretini nos explique (Vol. I, p. 68):
“Determinar a razão de uma consequência é diferente de determinar o próprio consequente. Amiúde, a razão de uma consequência é compreendida quando nem o antecedente é discernido nem o consequente é compreendido. Só se entende que esta coisa se deduz daquela. A fé compreende o consequente; a razão, porém, a consequência. Cabe à razão a percepção da razão de uma consequência, seja ela certa e necessária ou não. Mas não se segue disso que a fé que compreende o consequente está fundamentada na razão, visto que está [a razão] não é um argumento aqui, mas um instrumento. Como quando se diz que a fé vem pelo ouvir, este [ouvir] não é um argumento da fé, mas um instrumento, porquanto a razão não coloca no texto um sentido que não estava ali, mas apresenta, por consequência legítima, algo que estava oculto nele e que era ensinado implicitamente por ele.”
A razão é um instrumento para as consequências legítimas (necessárias), para aquilo que estava oculto/implícito no texto. Desse modo, reafirmamos que Provérbios 8 se trata da geração eterna do Filho.