O Princípio Regulador do Culto e a Revelação Geral

Este pequeno artigo não pretende ser uma defesa exegética em favor do Princípio Regulador do Culto (PRC). Quero apenas mostrar o papel da Revelação Geral no PRC. Se você pretende obter uma defesa bíblica do PRC acesse: Dr. Waldron Sobre o PRC

Os elementos circunstanciais são aqueles necessários para que os elementos prescritivos sejam possíveis. O Senhor ordena que a igreja local se reúna constantemente, mas o Senhor não deixou uma regra quanto ao horário de uma reunião. Sabemos, contudo, que não pode haver reunião sem que haja um horário e local bem definidos. Desse modo, a reunião é prescritiva, o horário é circunstancial. A igreja possui total liberdade para escolher os horários das reuniões, mas não possui direito de se abdicar da reunião dominical.

Posto isso, devo salientar que os elementos prescritivos também são regulados e limitados. Mas o que limita tais elementos? Se é a Sagrada Escritura, então, os elementos circunstanciais são prescritivos, e, portanto, só nos resta elementos prescritivos. Isso complicaria nossa vida porque os horários das reuniões, por exemplo, deveriam ser, seguindo essa lógica, definidos pela Escritura.

A Confissão de Fé Batista de 1689 (tanto quando a Confissão de Fé de Westminster) nos ajuda compreender como os elementos circunstanciais estão regulados e limitados. Diz a CFB89:

1.6 – “[…]há algumas circunstâncias concernentes ao culto a Deus e ao governo da igreja comuns às ações e sociedades humanas, as quais devem ser ordenadas pela luz da natureza e pela prudência cristã

Agora, vejamos o que nos diz o parágrafo 1 do capítulo 1 da CFB89 e da CFW:

“embora a luz da natureza e as obras da criação e da providência manifestem a bondade, a sabedoria e o poder de Deus”

Note que as confissões afirmam que os elementos circunstanciais são determinados pela Revelação Geral. A Revelação Geral identifica-se com a criação e a obra da providência. Ela contém muitas informações a respeito de Deus, dos deveres dos homens, de como preservar a integridade física, a propriedade privada da importância do planejamento e diversas outras coisas. A Revelação Geral diz que todo homem tem o Direito à propriedade privada, por exemplo, então a igreja pode decidir que as reuniões naquele bairro com alto índice de furtos não serão realizadas no período noturno.

Você poderia me dizer que, seguindo essa lógica, não haveria problemas se uma igreja decidisse usar teatros a fim de facilitar a proclamação da palavra de Deus. E eu responderia negativamente. Não nego que os teatros podem, em algum grau e moderação, facilitar o aprendizado, mas a questão do culto público não gira em torno dessa problemática, mas dos elementos prescritivos e circunstanciais. E, em relação a tais elementos, os circunstanciais não podem ser preferíveis aos prescritivos.

Apesar da circunstância abrir possibilidade para o teatro, a prescrição restringirá essa circunstância. Além da Revelação Geral, as circunstâncias também são limitadas pelas prescrições da Revelação Especial. As únicas pregações visíveis prescritas na Revelação Especial são a Ceia do Senhor e o Batismo. Note que as confissões dizem: “algumas circunstâncias concernentes ao culto”. E assim, o teatro, por exemplo, é um elemento circunstancial, porém, impossível de ser usado por causa da limitação prescritiva.

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