
A circuncisão tem valor se você obedece a lei; mas, se você desobedece a lei, a sua circuncisão já se tornou incircuncisão. Vê como o apóstolo trata da circuncisão? Verso Romanos 2.23: Você, que se orgulha na lei, desonra a Deus, desobedecendo à lei?. Ele, como está claro, mostra que a circuncisão pertence à lei, ao Antigo Pacto ou Pacto de Obras ; Porque a circuncisão tem valor se praticares a lei. – The Ax Laid – Sermon II (1693)(tradução minha; destaque meu)
Quando Benjamin Keach chama o Pacto de Circuncisão de Pacto de Obras, ele quer dizer que o Pacto de Circuncisão era uma administração do Pacto de Obras. As administrações após a queda são distintas daquela primeira administração entregue a Adão. O pressuposto da unidade utilizado pelos pedobatistas no Pacto de Graça, foi usado por Keach e muitos batistas particulares do século 17 com relação ao Pacto de Obras. Em outras palavras, os pactos subsequentes, com Abraão, Moisés e Davi foram republicações com administrações distintas do Pacto de Obras.
Para Keach, as administrações subsequentes operam sobre a essência incapaz de justificar o pecador. Para ser justificado no Pacto de Obras e em todas as suas posteriores administrações, é necessário perfeição. Keach diz:
Onde, em toda a Sagrada Escritura, lemos sobre Três Pactos, ou seja, o Pacto de Obras, o Pacto da Redenção e o Pacto da Graça? É evidente para todos que o Espírito Santo declara apenas dois Pactos, o Pacto de Obras, e o Pacto da Graça; o primeiro é chamado de Antiga Aliança, e o segundo de Nova Aliança, embora ambos os Pactos tivessem várias Revelações, Ministrações, ou Edições; o Pacto de Obras foi feito inicialmente com o Primeiro Adão, e com toda a humanidade nele; em virtude do quê era ele justificado por sua própria e perfeita Obediência, antes de ter pecado: é verdade, houve outra Edição ou Administração deste dada a Israel, o qual embora fosse um Pacto de Obras, i.e. Faça isso e viva, ainda assim [a Lei] não fora dada pelo Senhor com o mesmo fim e objetivo da [Aliança] que fora dada aos primeiros pais [i.e. a Aliança Adâmica], ou seja, não fora dada para justifica-los, ou para dá-los vida eterna; ‘pois, se a justiça é mediante a lei, segue-se que morreu Cristo em vão.’ Gl.2:21, ‘Porque, se fosse promulgada uma lei que pudesse dar vida, a justiça, na verdade, seria procedente de lei.’ Gl.3:21. Mas de fato, era impossível que a vida, a justificação e a justiça pudessem ser pela Lei, ou por qualquer outra lei, pois o homem pecou, e tornou-se incapaz de responder a Lei da obediência perfeita – The Everlasting Covenant (1693) (tradução Rafael Abreu)
Se o Primeiro Pacto foi realizado com Adão e o Apóstolo chama o Pacto no Sinai de Primeiro Pacto (pois, para Benjamin Keach só existem dois Pactos, o de Graça e o de Obras) e identifica o Pacto da Circuncisão com a Lei, logo, os Pactos da Circuncisão e do Sinai são apenas administrações distintas de um único Primeiro Pacto de Obras.
Isso não significa que eu concorde com Benjamin Keach. Entendo que os pactos subsequentes são substancialmente distintos tanto do Pacto de Obras quanto do Pacto de Graça. Eles estão unidos, mas por uma natureza mista, tanto graciosa quanto operativa. Isso porque os pactos subservientes relembram alguns aspectos do Pacto de Obras e do Pacto de Graça. Os pactos subservientes (Abraão, Moisés e Davi) ) não condenam o homem em si mesmos (pois essa é uma consequência do pecado original. Eles relembram a condenação já promulgada na quebra do Pacto de Obras mas não podem tornar culpado alguém inocente – não há inocentes), ao mesmo tempo que são incapazes de prover a Salvação Eterna (essa é uma consequência exclusiva do Pacto de Graça. Eles relembram a justificação que aconteceu na eternidade e que é declarada no tempo e espaço, no ato da fé). John Erskine explicou essa natureza mista quando tratou do Pacto no Sinai do seguinte modo:
Se alguém pergunta se o Pacto Mosaico foi um pacto de obras ou de graça, eu respondo que ele não foi nenhum desses no sentido em que os teólogos sistemáticos geralmente usam os termos. Mas, que ele foi um pacto mesclado, participando da natureza de ambos. Deus amou os Judeus acima de outras nações, levando-os a um pacto com sigo mesmo e apontando sacrifícios , devidos à bondade imerecida [graciosa], para expiar pecados que, de outra forma, seriam violações do pacto. Também não se observa que o Pacto Moisaico era o pacto de graça conforme tipificado por ele. Mas, que ele exigia uma onerosa obediência servil, realizada pelos judeus sem qualquer assistência divina, e, tinha nisto, seu fundamento legal para as bençãos pactuais. – The Nature of the Sinai Covenant, John Erskine (1765) (tradução e adaptação minha)