Não conheço o Rev Costa. Sei apenas que ele tem provocado muitos neocalvinistas e alguns posts vociferantes. Hoje li cerca de 4. Por causa de suas constantes críticas à política, afirmações sobre a Teologia dos Dois Reinos têm sido levantadas de modo equivocado.
Creio que os espantalhos da T2R também atrapalham. Se não espantalhos, pelo menos definições parciais ou imprecisas dos críticos. Então, desejo esclarecer alguns pontos sobre a Teologia dos Dois Reinos dos Batistas Puritanos do Século 17 (que tenho apelidado carinhosamente de T2R-1689 🙂
1: A teologia dos dois reinos dos puritanos ingleses não defende o ceticismo quanto à transformação social do reino comum dos homens através da moralização.
Ela afirma que o envolvimento cultural de um regenerado é fruto da santificação e homens santificados são usados para retardar o processo de imoralidade do reino comum. A moralização restringe os atos externos de um coração corrompido. A função do crente não é redimir, mas impedir a imoralidade cultural.
2: Os puritanos ingleses sempre defenderam a moral cristã do magistrado civil. Não existe, na T2R-1689 puritana, dualismo ético, nem Estado anti-religioso.
A lei natural é a lei moral, e, porque a lei natural no homem caído está obscurecida, precisa ser iluminada pela revelação especial. Por isso os puritanos defendiam a educação cristã. Os catecismos eram pontos fundamentais na educação infantil. Contudo, jamais ensinaram que a moralização externa significava avanço do reino do céu. Jesus disse: “Em verdade, em verdade te digo que, se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus.“. Moralização externa não significa redenção, mas preservação da ordem criada.
3: A teologia dos dois reinos dos puritanos ingleses não afirma o dualismo ontológico. Essa é a teologia dos dois reinos Luterana e/ou Agostiniana (especialmente do Livro A Cidade de Deus).
No dualismo ontológico, duas realidades são antagônicas e existem de modo independente. Na teologia dos dois reinos puritana há dualismo administrativo. Deus administra os reinos, que existem ao mesmo tempo e estão na mesma realidade, de modo distinto. Os regenerados vivem tanto no reino comum quanto no reino do céu e precisam observar as regras morais divinas que são as mesmas para ambos os reinos. A diferença administrativa está no fato de que no reino comum basta a observação externa das leis morais (à semelhança do Pacto com Moisés). No reino do céu, a observação externa é fruto do amor interno (porque as boas obras justificam nossa fé diante dos homens).
4: Política não está em oposição à evangelização. Afirmar tal coisa seria absurdo entre os puritanos.
Nem mesmo Roger Williams, o mais famoso contribuinte da T2R, afirmou tal atrocidade. A liberdade garantida pela política contribui para a propagação do evangelho porque facilita a proclamação verbal da mensagem da cruz. Há um ponto de intercessão nos dois reinos que se dá pela Santificação dos regenerados. A cultura se transforma externamente a medida que a igreja se santifica e grandes avivamentos surgem (caso de Johnathan Edwards).
Alguns bons nomes que esclarecem a T2R de tradição puritana (inglesa e americana):
Christopher Blackwood, Riger Williams, Abraham Booth, Isaac Bakcus, Daniel Merrill, John Erskine, Samuel Rutherford, John Owen, John Gill, Arthur Pink e William Findley.