JONATHAN LEEMAN E OS DOIS REINOS

Jonathan Leeman
Political church
Leeman, ao falar sobre Igreja e Magistrado Civil, diz:
“Furthermore, the two-kingdoms division between God’s ‘creation rule’ and his ‘redemptive rule’ does not adequately account for God’s activity of judgment”. – Political Church, p. 211

E exemplifica a inadequação do uso dos termos dizendo:
“The judgment flip side of redemption. And the two often occur in the same act. The judgment of Egypt is the redemption of Israel. Here the categories of ‘creation rule’ and ‘redemptive rule’ dissolve into one another and prove insufficient” – Political Church, p.211
Providência, a saber, que Deus usa o Governo da Criação para que o reino comum não destrua o reino espiritual (Governo da Redenção), e o contrário é válido, até a consumação, pode ser vislumbrado no exemplo acima, mas, não a confusão e inconsistencia entre governos que Leeman criou.
Existem dois problemas principais na afirmação primeira do autor:
1) o significado da redenção de Israel. Houve confusão entre tipo e antítipo; sombra e essência; promessa do pacto e formalização do pacto, Israel Nacional e Israel Espiritual. Em outras palavras, seu defeito está na teologia pactual. Assim como o julgamento do Egito está na categoria de ‘creation rule‘, a redenção de Israel Nacional também está na categoria de ‘creation rule‘. Esta redenção do Israel Nacional não é a redenção do Israel de Deus (espiritual, os filhos da Fé), que se dá pelo sangue de Cristo Jesus (‘redemptive rule‘). Aquela prefigura esta.
Turretini explica:
“Entretanto, não é sem razão que a remoção do reino de Judá permaneceu como UMA MARCA do advento do Messias. A retirada de(arsis) um é o estabelecimento de outro(thesis); a remoção(aphairesis) do reino de Judá é a fundação do reino de Cristo.[…] Além disso, uma vez que a política era PREFIGURATIVA E TERRENA (à qual as promessas foram feitas não diretamente), não podia continuar para sempre, mas sua glória tinha de ser abolida (katargeistthai) e dar lugar ao reino místico e eterno de Cristo.” – Turretini, Compêndio de Teologia, vol2, p.336
2) inconsistência. Leeman tornou-se inconsistente por causa da sua redefinição de termos.
O autor reconhece a diferença no governo de Deus quando falamos daquele que é o “meu-povo” e aquele que “não-é-meu-povo”. Embora pareça se aproximar da T2K, ele insiste em manter-se fiel a ideia de “redenção cultural”. Desse modo, é necessário romper com os dois reinos. Diz:
“What should we make of VanDrunen’s proposal? I am very sympathetic to his project[…]” – Political Church, p. 178
E, se contrapõe a T2K:
“And just because God promises to exercise his rule later differently than he does now doesn’t mean he will go about acquiring a different sword or become a different king”. Political Church, p.179
Por fim, oferece sua alternativa:
“In my mind, a more intuitive intitutional explanation for God’s different ways of rulling [..] It only mean they have different licenses from tha same king.” – Political Church, p.179
Segundo o autor, Deus não possui duas espadas, antes, manifesta a única espada de modos distintos. Isso parece se distanciar da T2K, entretanto, o argumento não cumpre o propósito. Ao progredir, o argumento volta-se contra ele mesmo. Leeman não acredita que o sistema politico comum é um parasita no reino de Deus, ele não é discípulo de Van Groningen! Para Jonathan Leeman, existe um reino que é administrado com duas distintas autorizações; uma para o magistrado civil, outra para a igreja. Ele substituiu o termo “Administração” por “Autorização”. Em outras palavras, existem diferentes licensas para a única administração do rei. Mas que autorização é essa? Ele respondeu:
“the state possesses the power of the sword and the church possesses the power of keys“. – Political Church, p.179
Autorização para usar o poder da “espada” e das “chaves” (do reino do céus). A autorização é a própria espada/administração da T2K. Leeman redefiniu o conceito de “Administração” para algo efêmero com objetivo de negar a existência das “duas espadas/administrações”. Ora, o conceito de autorização para exercer a “espada” ou as “chaves” não é outra coisa senão a Teologia dos Dois Reinos. A meu ver, Leeman usou retórica evasiva, redefinições efêmeras e alguns argumentos inconsistentes para não ser identificado como defensor da T2K.
Essa foi uma boa jogada.  ;-p

Deixe um comentário

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.