Ainda que a maioria dos “debatedores” de rede sociais sejam “hates”, existem irmãos santos que realizam discussões proveitosas. O santos devem ser ouvidos; hates, por outro lado, ignorados. Este artigo é uma pequena resposta a outro comentário – de um irmão santo em Cristo Jesus.


Por neo-calvinista me refiro a seguidores da teologia de Abraham Kuyper; em especial, a segunda geração. Em suma, essa cosmovisão “reformacional” afirma que Deus redime a cultura. O engajamento cultural, portanto, transforma a arte, educação, esporte e governo levando-os outra vez aos padrões Edênicos. Nas palavras de VanDrunen:
“Para o neocalvinismo, redenção em Cristo consiste na restauração da criação original de Deus. Com isso querem dizer que reassumimos o papel que Adão perdeu e assim continuamos o desenvolvimento para o fim escatológico original.” – Living in God’s Two Kingdoms, p. 62, tradução minha
Desse modo, todo nosso labor cultural é uma obra para a construção e expansão do reino de Deus. Van Groningen, por exemplo, afirma que a capacidade moral do homem por si só é um pacto – chamado por ele de pacto de criação. Desse modo, V.G pôde pactuar toda criatura com Deus. Entretanto, Elohim dotou o homem de uma capacidade moral para que fosse possível ao homem manter um relacionamento pactual. A habilidade não é por si mesma uma aliança, mas um acréscimo gracioso com vistas à aliança. Quando uma lei foi quebrada a capacidade moral também foi danificada. A capacidade não pode ser restaurada se não pelo interesse em uma nova aliança (Graciosa).
Minha Resposta
O fim é melhor que o início. Você tem razão ao dizer que “Ninguém sabe como foi o Éden, pois ninguém esteve lá”, mas, erra ao presumir que, no Éden, Adão não receberia glória mais excelente. A Escritura tem os “dados suficientes para declararmos” que Cristo nos dá uma glória mais excelente do que a encontrada inicialmente no Éden.
1º: O Pacto Eterno é mais excelente que o Pacto de Obras
O Senhor se relaciona com o homem através de pactos. O primeiro é chamado de Pacto de Obras feito entre Deus e Adão e possuía caráter probatório. De modo condescendente, Deus estabeleceu a promessa de uma recompensa (ex pacto) mediante um teste. Adão foi criado com todas as condições para cumprir as exigências desse pacto. Prova-se a recompensa com os textos de Mateus 19.17 e Romanos 7.10, por exemplo. Mas, podemos ir além:
2º: O resultado da representatividade de Cristo é superior a de Adão
A representatividade federal de Adão deve ser entendida à luz da representatividade de Cristo, e não o contrário. Cristo obteve, para os crentes, algo no Pacto de Graça, assim como Adão obteria algo no Pacto de Obras. Adão deveria passar por um período de teste a fim de herdar uma felicidade superior; Cristo deveria cumprir todo o Santo o Decreto acordado entre as Pessoas da Santíssima Trindade para obter a salvação dos eleitos (Sl 89.26-27; Ef 1.5,7,14; Tt 3.4-6; Hb 9.15,26; Ap 1.5). Adão falhou, mas Cristo realizou no Pacto de Graça as tarefas análogas àquelas que Adão não conseguiu no de Obras, e a sua justiça nos foi imputada, bem como todos os benefícios nos são aplicados pelo Santo Espírito. Turretini explica isso muito bem:
“”Cristo adquiriu a vida eterna e celestial, a qual ele nos concede satisfazendo por nós a justiça da lei (Romanos 8.4; Gálatas 4.5). Isso não poderia ter-se realizado a menos que a lei tivesse prometido ao obediente a vida celestial, pois, como ele [Cristo] não rendeu a Deus, o Pai, nenhuma outra obediência senão a que a lei requeria, assim, ao cumprir a lei, não adquiriu nenhuma outra vida senão a que foi prometida pela lei […] visto que Cristo morreu para que por intermédio dele recuperássemos o que perdemos em Adão, e que mereceu pra nós a vida eterna, seria necessário que a tivéssemos perdido em Adão e que Adão tivesse obtido se perseverasse na obediência” – Turretini, v1, p.728 (destaque meu)
3º: Adão não tinha a revelação de Deus como Redentor antes da queda
Deus também havia se revelado a Adão e Eva como o Deus Criador. O Senhor não se revelará como Redentor antes da queda, não havia necessidade de tão revelação porque não havia necessidade de homem algum ser redimido. Após o pecado original, Adão e seus descendentes foram incapacitados de amar e observar a lei ou as instituições naturais de modo perfeito. Em outras palavras, a revelação geral foi seriamente obscurecida pelo pecado. Conhecer Deus como Criador tornou-se insuficiente, era preciso uma revelação especial de Elohim como Redentor. Em outras palavras, o natural precisa do sobrenatural. E, se alcançamos esse sobrenatural em Cristo, como não dizer que essa vida sobrenatural não é mais excelente do que a primeira vida que Adão obteve? Ou, se Adão nos desse as mesmas coisas que Cristo, não deveríamos adorá-lo como adoramos Cristo? Certamente que não! Cristo não nos faz novos “Adões” ele nos faz nova criaturas nele, a semelhança dele, vivendo para a glória dele que é Criador, tanto quanto nosso Redentor.
Conclui-se, portanto, não precisamos saber como era, exatamente, a vida no Éden, apenas que havia algo mais excelente para ser entregue a Adão e seus descendentes – alguns (A. Pink, i.e) dizem que não tão excelente como a glória que Cristo nos dá; concordo com Turretini ao dizer que seria uma vida celestial, ou seja, a queda era inevitável. E, se havia algo mais excelente, logo, o Éden poderia ser melhor, portanto, o fim sempre foi melhor que o início. Geerhardus Vos afirma que o escaton foi prometido antes da queda. Adão não foi capaz de alcança-lo; Cristo, por outro lado sim. O escaton foi alcançado para nós! O fim é mais excelente que o início. Não imagino como será o Novo Céu e Terra em detalhes, assim como não tenho conhecimento absoluto de como foi a vida no Éden. Mas, lhe afirmo que o fim é mais excelente que o início porque ele não depende de Adão, mas de Cristo!
Em Cristo.