Orando no Espírito

A vida cristã deve ser marcada pela prática da oração[1][2][3]. Segundo a epístola de Judas[4], um das práticas ordenadas pelo Senhor é a oração, especificamente, a oração no Espírito Santo. Este termo pode ser interpretado de forma equivocada dando a entender que existem dois tipos de orações – aquela no Espírito e outra fora do Espírito. Dessa forma o “orar no Espírito” torna-se uma prática mística que está acima do consciente e intelecto do indivíduo. Para evitar este erro e definir com maior precisão o ensino bíblico a respeito deste tema, é necessário expor algumas funções específicas da Pessoa do Espírito Santo.

Primeiro; o Espírito Santo habilita o crente à oração transformando as vontades e afeições dos pecadores regenerados. A base para este argumento encontra-se em Romanos[5]. Neste ponto o apóstolo afirma que o homem não sabe orar, portanto, o Espírito Santo interfere neste processo de forma direta. Isso implica que o Espírito de Deus trabalha super-naturalmente na alma do homem dando-lhe um desejo Santo para esta tarefa. Portanto, o homem habilitado pelo Espírito Santo à oração, conduz suas petições para um alvo que está no centro da vontade revelada do Pai.

Segundo; outra função do Espírito Santo é iluminar a mente dos pecadores para compreenderem a revelação especial. Uma vez que o Espírito Santo trabalha na vontade humana guiando-a ate a vontade de Deus, Ele, necessariamente, deve ensinar o pecador qual é a vontade divina. Esta vontade foi revelada, de modo Especial, na Sagrada Escritura. Portanto, o Espírito conduz o crente até as Santas Letras iluminando a razão humana. É a Pessoa do Espírito quem realiza esta tarefa porque ninguém, senão o próprio Deus pode conhecer exaustivamente a vontade divina.

Terceiro; o Espírito Santo mantém o crente focado em Jesus Cristo. Cristo é o único mediador entre Deus e os homens. Nenhuma vontade do Pai é acessível se não for pela mediação do Filho. O Papel do Espírito Santo, aqui, é glorificar o Filho. As orações dos crentes devem ser com fé na mediação de Jesus Cristo. Sem Cristo, nenhuma oração será ouvida.

Quarto; o Espírito Santo é um intercessor, porém, não junto ao Pai, mas no crente. Há uma distinção entre o papel de intercessor nas Pessoas do Filho e Espírito. Enquanto o Filho está a direita do Pai intercedendo por pecadores, o Espírito está nos pecadores clamando Aba Pai, como ensina Gálatas[6].

Até este ponto, entende-se que as três Pessoas da Trindade estão envolvidas na oração. O Pai ao revelar sua vontade, o Filho ao ser o mediador que está a destra do Pai e o Espírito Santo ao conduzir o crente neste dever.  Conclui-se, portanto, que o “orar no Espírito” não é uma forma especial de oração com manifestação, por exemplo, de línguas estranhas – ato exclusivo da era apostólica. Antes, toda e qualquer oração que conduz as petições, agradecimentos, intercessões e louvores à vontade do Pai, com Fé na mediação de Cristo é chamada de “oração no Espírito Santo”.


[1] OWEN, John. The Works Of John Owen: Discourse on the Holy Spirit. Carlisle: The Banner Of Truth Trust, 2013. (Volume 3)

[2] PIPER, John. Learning to Pray in the Spirit and the Word: part 2. 2001. Disponível em: <http://www.desiringgod.org/messages/learning-to-pray-in-the-spirit-and-the-word-part-2&gt;. Acesso em: 30 set. 2015.

[3] OWEN, John. The Works Of John Owen: On Communion with God. Carlisle: The Banner Of Truth Trust, 2013. (Volume 2)

[4] Vós, porém, amados, edificando-vos na vossa fé santíssima, orando no Espírito Santo, (Jud 1:20 ARA)

[5] Também o Espírito, semelhantemente, nos assiste em nossa fraqueza; porque não sabemos orar como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós sobremaneira, com gemidos inexprimíveis. (Rom 8:26 ARA)

[6] E, porque vós sois filhos, enviou Deus ao nosso coração o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai! (Gal 4:6 ARA)

Deixe um comentário

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.