Deus que se revela
Alguém só pode ser conhecido caso se revele. Você não poderia saber da minha timidez, por exemplo, se de algum modo eu não lhe revelar esta minha característica, seja em palavras ou ações. Pois bem, Deus pode ser conhecido porque se revela. Ele revela seu próprio caráter santo, atributos perfeitos e vontade soberana. Isso se dá de dois modos: Geral e Especial.
Revelação geral
A revelação geral identifica-se com a criação e contém muitas informações a respeito de Deus e os deveres dos homens. Não obstante, ela é insuficiente para salvar o pecador. A revelação geral, também conhecida como revelação natural, pode dizer que existe um ser divino supremo, santíssimo, perfeito e que o homem é pecador, um defunto espiritual (Ef 2.1), mas é incapaz de mostrar o caminho de salvação. Vejamos Romanos 1.20:
“20 Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder, como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas. Tais homens são, por isso, indesculpáveis;”- Romanos 1.20
Revelação especial
Por outro lado, a revelação especial identifica-se como Escritura Sagrada – Bíblia. A Bíblia é especial porque, somente seu conteúdo pode produzir vida no pecador. Formada por 66 livros, 39 no Antigo Testamento e 27 no Novo Testamento, é a Palavra Inspirada de Deus. Note bem, a Bíblia não contém a Palavra de Deus, ou se transforma em Palavra de Deus, antes, os 66 livros são a Palavra de Deus. A Bíblia é a Palavra Verbal de Deus. Não existe outra fonte de conhecimento para salvação além dela. É majestosa, pura, e completamente harmonizada em todas as partes. Não há nela contradição ou erro algum. Foi escrita para melhor preservação da verdade, contra a corrupção da carne e malícia de Satanás, que desde o início tenta distorcê-la (Gn 3.5).
Quando falamos da revelação especial, portanto, nos referimos ao texto inspirado que possui algumas características:
- É infalível. Todas as promessas, profecias, conteúdo são certos. Não deixaram e nunca deixarão de se cumprir.
- É inerrante. Não existe nenhum tipo de erro na Escritura. Ela foi preservada por Deus ao inspirar os autores. Por causa da providência, Deus manteve intacto todos os sentidos do texto original em nossas traduções.
- É inspirada por Deus. Deus mesmo inspirou os autores. Ele usou as características e capacidades dos autores afim de que a Palavra Santa fosse transmitida, sem defeitos, ao seu povo. Portanto, a Bíblia possui autoridade divina.
- Interpreta a si mesma. A Bíblia interpreta a própria Bíblia. Textos difíceis são desvendados a luz outros textos na própria Escritura.
Nossa única regra de fé e prática
Dizemos que a Bíblia ensina quem é Deus, seu caráter, suas obras e todas as obrigações do homem para com Deus e o caminho para a salvação, a saber, fé em Jesus Cristo e em sua obra. Em outras palavras, a Bíblia é nossa única regra de fé e prática. Somente nela aprendemos como:
- Viver para a glória de Deus
- Viver em comunhão com Deus.
Mas em que consiste viver para a glória de Deus e em comunhão com Ele, segundo a própria Bíblia? Consiste em algumas atitudes básicas:
- Dar a Deus o lugar mais alto e importante em nossos pensamentos.
- Adorar somente a Deus. Possuir a maior reverência e temor para com Ele e seu santíssimo nome.
- Crer que somente Ele é o autor e consumador da sua salvação e que a vontade dele é perfeita. Ser dependente de Deus, creditar a Ele todos os benefícios da salvação, a saber, perdão, consolo, paz e segurança eterna de sua alma.
- Estar sujeito a lei de Deus. Essa sujeição não deve ser com vistas a recompensas. A sujeição a Deus deve ser uma resposta do coração grato e satisfeito.
- Confessando sinceramente nossos pecados. Glorificamos a Deus quando fazemos uma confissão sincera dos nossos pecados. Um coração humilde exalta a Deus.
Estrutura da Bíblia e os livros apócrifos
A Bíblia é dividida entre Antigo Testamento e Novo Testamento.
- No Antigo Testamento são 39 livros escritos originalmente em hebraico. Os livros podem ser divididos em (1) Livros da Lei ou Pentateuco (2) Livros históricos (3) Livros poéticos ou de sabedoria (3) Livros proféticos – profetas maiores e profetas menores.
- No Novo Testamento são 27 livros escritos originalmente em grego. Os livros podem ser divididos em (1) Livros biográficos ou evangelhos (2) Histórico – apenas Atos (3) Cartas (4) Profético- apenas Apocalipse
Os livros conhecidos como apócrifos – Tobias, Judite, 1 e 2 Macabeus, Sabedoria, Eclesiástico, Baruque – não são livros inspirados, portanto, não são Escritura Sagrada. Eles possuem contradições entre si, em si mesmos, além de erros contrários até mesmo a revelação geral.
Trecho extraído do meu comentário pessoal do Capítulo 1 da Confissão de Fé Batista de 1689.