Arthur Pink: O caráter moral e positivo do quarto mandamento

Ao discutir sobre o Pacto Adâmico, ou, Pacto de Obras, Arthur Pink declara o caráter duplo do quarto mandamento. O Sabbat deve ser compreendido tanto como moral quanto positivo. O caráter positivo é modificado, e assim, o Sabbat recebe novos ornamentos no Pacto do Sinai (ao adicionar todos os serviços ligados ao tabernáculo) e na Nova Aliança (ao remover os aspectos do pacto Sinaítico e adicionar nova positividade, a saber, o Dia da ressurreição do Senhor).

Por lei “moral” que foi entregue a Adão por Deus, queremos dizer que foi colocado sob os Dez Mandamentos, sendo estes, resumidos ao “Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todas as tuas forças e de todo o teu entendimento; e: Amarás o teu próximo como a ti mesmo.”. Nada menos do que aquilo que é devido ao Criador e o necessário para fazer de Adão uma pessoa reta. Por lei “positiva”, dizemos que Deus também colocou certas restrições sobre Adão que nunca surgiram a partir da luz da natureza ou de qualquer consideração moral, mas que, somente foi colocada por Deus de modo soberano e como um teste da sujeição de Adão à vontade imperial de seu Rei. O termo “lei positiva” é empregado por teólogos, não como antitética a “negativa”, mas em contraste com aquelas leis que foram endereçadas à nossa natureza moral: oração é um dever moral, batismo é uma ordenança positiva.

Estes três desenvolvimentos da lei sobre os quais Adão foi colocado podem ser claramente discernidos no breve relato de Gênesis 1 e 2. O casamento entre Adão e Eva ilustra o primeiro: “Por isso, deixa o homem pai e mão e se une à sua mulher, tornando-se os dois uma só carne” (Gênesis 2.24). Qualquer infração da relação matrimonial é uma violação da lei própria da natureza. A instituição e consagração do Sabbat exemplifica o segundo: “E abençoou Deus o dia sétimo e o santificou; porque nele descansou de toda a obra que, como Criador, fizera.” (Gênesis 2.3). Um procedimento que seria inexplicável, a menos que se entenda que por ele se indicava ao homem que deveria fazer o mesmo, doutro modo, a santificação e a bênção declarada precisariam de assunto apropriado e um fim específico. Em todas as eras, a observância do santo Sabbat tornou-se o teste supremo de sua relação moral para com o Senhor. O mandamento para que Adão cuidasse do jardim (cultivar e guardar, Gênesis 2.15) demonstra o terceiro aspecto, o positivo; mesmo em seu estado original o homem não estaria ocioso e indolente.

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